SEM FUMAR HÁ: 2 DIAS E 20 HORAS
DINHEIRO ECONOMIZADO: R$ 20,25
ABSTINÊNCIA: CONTROLADA
Um dos meus maiores medos ao parar de fumar era o de perder o prazer em eventos sociais. Até poucos dias atrás, Nico era um grande companheiro de festas, passeios e até mesmo reuniões pequenas em casas de amigos. Mesmo quando eu ia ao cinema, assim que o filme terminava, tinha que sair do shopping para fumar um cigarro. Parece que todas as atividades de lazer da minha vida estavam atreladas ao cigarro, ou melhor, que ele estava atrelado a elas, como os temperos exóticos de uma comida que pode ser boa sem eles, mas que não é a mesma coisa.
Ontem foi meu segundo dia sem fumar e uma festa junina aconteceu na faculdade. E quem resiste a festas juninas? Doces, música, cachorro quente, pessoas vestidas a caráter... Além de tudo, a entrada era gratuita, e como não tive muitas oportunidades de ir a festas de integração da faculdade este ano (na verdade, não fui em nenhuma), decidi ir a essa.
Pensei que não fosse ser forte o suficiente. Assim que pisei na faculdade, às oito da noite, a abstinência parecia estar mais alta do que a música, pulsando em minha cabeça como um coração em pleno ataque, bombeando irritação e impaciência pelas minhas veias e arrancando suspiros de agonia. Para ajudar, dezenas de pessoas fumavam ao meu redor, inclusive meus amigos próximos. E foi aí que eu percebi uma coisa muito curiosa, que eu não sei se acontece só comigo: a vontade de fumar tinha mais a ver com o hábito do que com o cheiro do cigarro em si. Na verdade, o cheiro do cigarro era quase insuportável: a fumaça dos cigarros ao meu redor penetravam em minhas narinas como ácido, queimando, ardendo, me fazendo prender a respiração.
